Plásticos abandonados ameaçam vidas marinhas nas praias do Prado.


Green sea turtle, Chelonia mydas, Sueste Bay, Fernando de Noronha, Pernambuco, Brazil, Atlantic Ocean

Os oceanos cobrem 75 % da superfície do nosso planeta e há lixo marinho praticamente por toda a parte. O lixo marinho, principalmente os plásticos, ameaça não só a saúde dos nossos mares e costas, mas também a nossa economia e as nossas comunidades. A maior parte desse lixo provém de atividades terrestres.

Em Cumuruxatiba, no litoral norte do município de Prado, um dos balneários mais luxuosos do Brasil, a bióloga Carina dos Santos Borborema quer conscientizar cada vez mais os moradores e turistas para os riscos de descartar lixo na praia. Segundo ela, lixo despejado em local inadequado prejudica animais marinhos, porque as tartarugas, especialmente, confundem plástico com alimento. Plástico no mar também pode afetar os humanos.

A bióloga explica que a cada ano, aproximadamente 10 milhões de toneladas de lixo acabam nos mares e oceanos do planeta. Os plásticos, e muito em especial os resíduos de embalagens de plástico, como garrafas de bebidas e sacos não reutilizáveis, são de longe o principal tipo de detrito encontrado no ambiente marinho. E a lista continua: redes de pesca estragadas, cordas, pensos higiénicos, tampões, cotonetes, preservativos, pontas de cigarro, isqueiros descartáveis e etc.

A bióloga Carina Borborema explica que o lixo marinho é composto por materiais sólidos fabricados ou transformados (por exemplo, plástico, vidro, metal e madeira), que vão parar ao ambiente marinho de uma forma ou de outra. Ao contrário dos materiais orgânicos, o plástico nunca “desaparece” na natureza e acumula-se no ambiente, principalmente nos oceanos. A luz do sol, a água salgada e as ondas fragmentam os plásticos em pedaços cada vez mais pequenos.

microd1

“Uma fralda descartável ou uma garrafa de plástico podem levar cerca de 500 anos a desagregar se em fragmentos microscópicos. Mas nem todos os microplásticos resultam do processo de fragmentação. Alguns produtos que consumimos, como os dentífricos, os cosméticos e os produtos de higiene pessoal, também contêm microplásticos”, explica a bióloga Carina Borborema.

Para ela, o lixo plástico é um dos maiores poluidores dos mares na atualidade. A presença desse tipo de resíduo prejudica a vida aquática, pois animais marinhos podem confundi-los com comida ou serem sufocados. Esse tipo de poluição, mesmo sendo visível e causando tantos problemas, não é tratada com a importância merecida. As cintas plásticas atiradas por navios de pesca são grandes fatores para mortes de animais marinhos, em especial dos tubarões, de acordo com a bióloga.

“Uma atitude simples, como pensar duas vezes antes de jogar objetos plásticos no mar, já é um grande passo, mas diversas medidas precisam ser tomadas para que haja efetividade na solução do problema. A nossa meta é cada vez mais conscientizar o públco em geral sobre os danos causados pelo lixo lançado em praias, rios e lagoas. As praias do litoral do Prado são belíssimas e são as mais luxuosas do país e não merecem ser traradas com despreso. Por isso, que queremos sensibilizar quanto à problemática do lixo nas praias, para que tenhamos vidas duradouras”, apela a bióloga Carina dos Santos Borborema que é nativa do balneário de Cumuruxatiba.

A bióloga alerta para que as pessoas em qualquer praia que estiver possam fazer algo de concreto pelo meio ambiente e com resultados imediatos, além de ampliar a conscientização das pessoas em relação ao lixo descartado inadequadamente e a poluição que isso gera e nossos recursos hídricos, um elemento de extrema importância a vida.

“Cabe a nós preservar e cuidar das nossas praias. Você já imaginou como os lixos jogados no mar podem prejudicar nossos animais aquáticos! Por exemplo, as milhares de tartarugas que morrem ao longo dos 84 quilômetros de praias no município de Prado todos os anos por se enroscarem dentro de sacolinhas plásticas! Então vamos aproveitar agora e pensar em como preservar nossas praias e deixar elas sempre bem limpinhas”, ressaltou Carina Borborema.