Partidos políticos vão mudar de nome para enganar o eleitor em 2018


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Podemos, Avante e Livres são nomes desconhecidos do eleitorado, mas que devem estar na disputa eleitoral em 2018, não se engane. Ao menos cinco partidos já têm planos de mudar de nome pra, diante da crise política e das denúncias de corrupção crescendo cada vez, conseguir se manter no poder, ludibriando o eleitor. De novo, só os nomes: ideologias e estruturas permanecem as mesmas dos partidos originais – PTN, PTdoB e PSL, respectivamente. “O nome faz toda a diferença no marketing político. É uma estratégia para ganhar uma sobrevida nas próximas eleições”, afirma o professor de ciência política da PUC-SP Rafael Araújo.

O que eles estão fazendo é usar a estratégia que o mercado utiliza. “Sempre que uma empresa quer se modernizar ou tem problemas com seus clientes, elas se reposicionam”, lembra Jacqueline Quaresemin de Oliveira, cientista política especialista em pesquisa de opinião, mercado, mídia e política da Fesp-SP. A mudança, porém, é vista como “uma faca de dois gumes” por ela. “Eles não querem ser identificados como partidos, mas isso é um equívoco. Partidos não são produtos, embora muitas vezes ajam como tal, deixando de lado os projetos de políticas públicas. “A mudança de nome de alguns pode ser equivocada, pois sua história, militantes, fatos, memórias, compõem a identidade do partido”, lembra.

Se você não tem aptidão pelo Democratas (DEM), por exemplo, não caia na roubada. Essa legenda é especialista em mudar de nome. Antigo Arena, partido que reuniu nomes importantes da ditadura militar, se tornou, nos anos 90, o PFL, agremiação do ex-delegado de polícia e chefe do DOPS, Romeu Tuma. Nos anos 2000, virou o atual democratas, partido de, por exemplo, Ronaldo Caiado, Rodrigo Maia e Mendonça Filho. A ideia agora é, em 2018, mudar de nome para MUDE – Movimento da Unidade Democrática. Mais do mesmo.

E se em 2018 você ver candidatos concorrendo pelo Podemos, não se iluda: não é uma filial do partido de esquerda espanhol no Brasil. É só o antigo PTN (Partido Trabalhista Nacional), que já acolheu Celso Pitta, que resolveu dar uma “repaginada”. Com a ideia de mudança de nome, outros deputados apoiaram a presidente do partido, a deputada Renata Abreu (SP), e embarcaram na nova legenda. Agora são 14 deputados federais e dois senadores. Alvaro Dias, nome tradicional do PSDB – mas que pulou para o PV em 2015 – será o candidato à Presidência pelo Podemos, que adotou a expressão “mudar o Brasil” logo após o nome e se define como um movimento, não um partido.

O possível novo partido Avante, pelo nome, pode parecer uma agremiação progressista ou de esquerda. Mas, novamente é uma roubada. É só o possível novo nome do PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil), partido nanico que de trabalhista não tem nada. Negar a política não é suficiente para o PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil), a legenda quer tirar o PT do nome. Após o desgaste do Partido dos Trabalhadores, o partido quer se desassociar no nome. Ainda sem autorização do Tribunal Superior Eleitoral – o pedido foi protocolado, mas ainda está em tramitação.

O PSL (Partido Social Liberal), outro nanico, possivelmente sairá em 2018 com o nome de Livres. A legenda, no entanto, só tem de “livre” o livre mercado, trata-se de uma reunião dos mais ferrenhos neoliberais, funcionários dos interesses do mercado. Sem grandes nomes, o partido já tem 22 anos, 225 mil filiados, mas apenas dois deputados na Câmara, Alfredo Kaefer (PR) e Dâmina Pereira (MG). A legenda já iniciou uma “campanha publicitária” com o novo nome, especialmente nas redes sociais mas, segundo o TSE, não foi feito ainda um pedido formal.

Por fim, o PEN (Partido Ecológico Nacional), que nunca teve relevância alguma na área da ecologia, passará a se chamar Patriotas, apenas para poder acolher o seu mais ilustre recém-filiado, o deputado federal Jair Bolsonaro.